Suas partes mais íntimas. Você as conhece?

Por Clarissa Cruz

Conhecer a si mesma não é uma tarefa fácil, mas com boa vontade e abertura para o desconhecido, é super possível e recomendado. Conhecer suas partes físicas mais íntimas pode ser um excelente início para começar a se aventurar no processo de autodescoberta.

Podemos nos conhecer por vários ângulos diferentes, percorrendo nossa espiritualidade, nossa mente, nossas emoções e nosso corpo físico. Também podemos procurar conhecer a história dos nossos antepassados, da família mais próxima, da classe social em que estamos inseridas e, assim, compreender a forma como nos envolvemos politicamente com o mundo.

É um universo de possibilidades! O mais relevante é tomarmos consciência desses processos e sabermos onde e como nos encaixamos. Mesmo que, algumas vezes, tenhamos apenas que deixar a vela do nosso barquinho içada para que o vento nos leve, tantas outras, precisamos mesmo é segurar o leme com muita firmeza para seguirmos o caminho que nós mesmas traçamos.

Sim, este texto é sobre autoconhecimento, vulva e escolhas. Vem comigo!

Cada uma com a sua própria identidade

A construção da nossa própria identidade é um tesouro que temos nas mãos. Não podemos permitir que outras pessoas ditem as regras para as nossas vidas. Por esse motivo, a ideia aqui é propor uma reflexão e jamais afirmar que está certo apenas desta ou daquela forma. Assim, trago algumas informações bastante interessantes.

Você já ouviu falar de um livro chamado "A Anatomia de Gray", de Henry Gray, um anatomista do século XIX? Uma curiosidade, o título da famosa série, que aborda temas médicos, é uma alusão a esse livro. Inclusive, até os tempos atuais, ele é uma referência para os estudantes de Medicina.

Por motivos facilmente imagináveis — e que poderemos abordar em um próximo texto — esse livro foi elaborado tendo como referência um corpo masculino. Conclusão rápida a que chegamos? Pouquíssima importância se deu ao corpo feminino, e esse é um fato que se repete e reforça na história da humanidade. Mas a gente está aqui para revê-la e recontá-la!

Conhecendo e aprendendo para recontar

Para essa empreitada, contamos com os estudos, pesquisas e reflexões de mulheres incríveis como a antropóloga Alma Méijome que, no artigo "Oito questões de saúde invisibilizadas pelo machismo", nos alerta “Sempre foram os corpos dos homens que eram estudados clinicamente, e daí se definiu o que é doença e o que não é”.

Na tal da "bíblia" médica, o clitóris, nosso estimado órgão exclusivo ao prazer, que mede 10 centímetros e possui 8.000 terminações nervosas, é reduzido a uma glande… Nada mais sendo descrito a seu respeito! Amada, isso é extremamente sério e precisamos levar em consideração, principalmente no que diz respeito a cirurgias e procedimentos estéticos das nossas partes íntimas, que são: 

  • o clitóris;
  • os grandes lábios;
  • o monte de Vênus;
  • os pequenos lábios;
  • a vagina.

Toda essa maravilha forma a famosa vulva, que tem formatos, cores e cheiros muito diferentes umas das outras. Assim como a nossa identidade, assim como a digital de cada ser humano, que é única e exclusiva. Agora me diz, você sabe dizer quem é quem na sua anatomia? Se você respondeu "sim", é bem provável que prefira deixar tudo como está.

Problemas reais são raros

Mana, como vamos deixar que passem uma faca, um laser ou uma pomada repleta de substâncias sintéticas que ninguém sabe realmente o efeito que vai causar na nossa vulva? Problemas reais, que requerem cirurgias, são raros! Podemos citar a hipertrofia e a sinéquia dos lábios. 

O primeiro é difícil de acontecer e, quando acontece, nem sempre é um problema de verdade. O segundo é resolvido espontaneamente na maioria dos casos. Labioplastias, clareamentos, “correções” de assimetrias são fruto de misoginia, racismo e falta de informação, amada! Imagina que tem casos de mulheres, que por conta dessa obsessão, passam pasta de dente para tentar clarear suas partes íntimas!

Acredite, a sua vulva é perfeita do jeitinho que ela é! Com assimetrias, com lábios pequenos grandes, escura, clara… São as suas partes íntimas exclusivas! É certo que pode haver algum problema real, nesse caso, procure uma profissional. Mas antes, pesquise. Antes ainda, pesquise dentro de você mesma para saber se é realmente necessário deixar que invadam e modifiquem a sua identidade.

 

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Crédito Imagem: Raquel Maia